de muito à fazer, emaranham-se os dias caos no horizonte próximo e nebuloso minhas unhas riscaram a pele cansada queria saber um alento, ou despropósito
Desatinado subia a escadaria meus olhos febris buscando você lá, seu corpo em preto e branco como um tudo sonhado e desigual um brilho, um sentimento bailarino e o cheiro adorável das manhãs uma falta de ar e o tempo parou caí todos os degraus no vácuo palavras esparramadas no chão e a história espalhada perdida
O Zé não esteve assim como a dor dos perdidos o sorriso manco dos errados indiferente ao burburinho sumiu quem nunca apareceu sobra a doce escrita d'alguém inundada de vida enamorada da existência
tuluca
São Paulo, 11 de agosto de 2012 .
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[Poema pra Camila Chiquetto, que tem essa coisa amorosa de gostar da existência]
faz quarenta anos foi um brilho e passou além era a mão e a imensidão tudo tão novo e urgente nos olhos um vôo errante muitas distâncias finitas aquelas estradas todas seu beijo, a poeira, o sol faz quarenta anos de tantas novas manhãs
tuluca
São Paulo, 2 de agosto de 2012 .
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[Escrevi enquanto ouvia Água e vinho do Egberto Gismonti, tão doce...]
a lua ainda ilumina o céu na rua o muito de tanto nada com moedas, buzinas, brilhos do áspero se agita o cotidiano sonhos se esvanecem no vazio e a hora tardia não nos basta é este o momento, o oposto o todo posto em movimento
eu era um e você o engano ou nem foi engano, só ilusão agora nem sei se sou algum dessa trama, fios desbotados pontos partidos, o nó desfeito
o que fui, o que sou e serei? nas perguntas desconsolo nestes enigmas seu nome à perturbar minha noite fria meu emaranhado de sonhos minha vontade de mulher