quinta-feira, 25 de maio de 2017

esquecendo as lembranças












pela janela vi você partir
desejei que olhasse atrás
mais uma vez que fosse
que um passado existisse
mas qual, seu vulto sumiu
pelo calçamento molhado
passo firme, mala na mão

naquela vidraça embaçada
fiquei eu num quase adeus
numa manhã tão tristonha
olhando o final da história
esquecendo as lembranças
nas muitas gotículas d’água
do cinzento vazio em mim




tuluca

São Paulo, 4 de maio de 2017
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sexta-feira, 24 de março de 2017

qual porque?












mais um tempo escorreu pela parede
veio dissolvendo as lembranças frágeis
enquanto o céu foi escondendo o sol
por quais travesseiros e lábios úmidos
você segue se esquecendo de mim?

sua ultima frase ainda flutua insone
pelo quarto escuro ressoando ontem
amo deste amor que só pode querer
e já nada sei desta imensa saudade
deste inútil querer saber o porque




tuluca

São Paulo, 24 de março de 2017
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sábado, 4 de março de 2017

avião de papel












dobrado o papel, um avião
tão leve, tão livre voou
foi da mão aos espaços
sem nada querer, ou pensar
como fosse sem passado
foi-se como quem só vai
pra além, sem mistério
apenas se vai mais adiante





tuluca

São Paulo, 3 de março de 2017
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

encontro

N’algum lugar atemporal, pensamentos unem-se além do permitido e sonhado.
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

oposto












oposto, oposto, oposto, oposto
oposto, oposto, oposto, oposto
oposto, oposto, oposto, oposto
oposto
Eu devo prestar atenção à aula
Eu devo prestar atenção à aula
Eu devo pretar atenção à aula
Eu devo prestar anteção à aula
Eu devo pestar atenção à aula
Eu devo prestar atenção à aula
Eu devo prestar ateção na aula
Eu devo pretar atenção à aula
recordações da primeira escola
foi lá que aprendi a escrever
e foi lá que aprendi a obedecer




tuluca

São Paulo, 23 de fevereiro de 2017
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

morri amanhã













morri amanhã pra este mundo
assim, num átimo tudo termina
como se a vida fosse de sal
como se esta luz fosse irreal
depois morri, retorno ao todo
abandono este engano, esvaeço
sobram os pensamentos fluidos
encontrando outras existências
agora, meus fogos vão ao infinito




tuluca

São Paulo, 15 de fevereiro de 2017
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

desvão
















cai bem no meio d’um desvão
e antes que soubesse de mim
os olhos nublaram sem brilho
um suor aflito molhou o corpo
neste novo momento iniciado




tuluca

São Paulo, 17 de dezembro de 2016
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