sexta-feira, 15 de julho de 2016

palavras inatas












estava aqui nesta prisão
desfeito em nada querer
procurando pelas paredes
um olhar que fosse amigo
uma palavra que fosse sim
quando os olhos fecharam
e todas as palavras ditas
retornaram pra garganta
inatas, despidas de desejo
nessa loucura autofágica
descobri a porta em mim
fui-me pra distante do eu
mergulhando na amplidão




tuluca

São Paulo, 10- de julho de 2016
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quarta-feira, 6 de julho de 2016

você não veio












quando você não veio senti ciúme
deixei seu café esfriando na xícara
dei muitas voltas em mim mesmo
depois parti o bolo, servi no prato
disso não sei o que ficou, ou ficará




tuluca

São Paulo, 5 de julho de 2016
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terça-feira, 5 de julho de 2016

cajuína












sabor do que ainda seremos
num janeiro ardendo ao sol
a caminhar na areia branca
e os frutos a pender do céu

seu suor mais um passo
assim aprendendo a ser
e o que é distante se turva
pra além do horizonte azul




tuluca

São Paulo, 3 de julho de 2016
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quinta-feira, 30 de junho de 2016

nova manhã












veio o sol esquentando a pele
chegou suave como as boas coisas vêm
foi de sorriso esta aurora de ninguém
amanheci como bem corre o riacho
vindo do frio desta noite espessa
alheado das estrelas do meu céu
cansado de a mim mesmo procurar
nestes labirintos da noite escura
adiante avisto o sol ardente e bruto
queimando tudo que mais quis
todos os sonhos nesta realidade




tuluca

São Paulo, 30 de junho de 2016
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[Como quem faz xixi diz a Marta.  Pra Sheila entender.]
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segunda-feira, 27 de junho de 2016

semente de viver












bem pra cá do fim do mundo
desfiando, estava ela mais eu
co’a poeirinha no sobrolho
era dia igual, bonito de ver
alucinação duma semente
se fazendo flor na estrada
era um pouco sorriso sério
um tanto de olhar distante
grão e água fria na moringa
muita tarde surda pra viver
nas mãos milho, ou manioca
cheiro de pasto, pé no chão
dela mais eu, sendo a sonhar




tuluca

São Paulo, 21 de maio de 2016
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domingo, 26 de junho de 2016

Não morri novamente




















hoje?
bem, hoje ainda não morri
como morro todos os dias
não dormi, nem cantei
apenas estive eu e vivo
olhando tudo que brilha
enfrentando o tempo
querendo-me liberto



tuluca

São Paulo, 25 de junho de 2016


[da canastra em 15-5-2002 (vivi este dia na viva luz)]
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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Coração fora da boca












Tenho o coração fora da boca
e é bom ter dentes para mastigá-lo
Sou o gato que não ri.
Tenho fome de amor. Uma febre
Alimento-me do que é, ou foi
depois palito os dentes.
A fome é dos olhos, e amar é bom
Bom assim ...
a fome é que mata,
ou cega.



tuluca

São Paulo, Sábado, 14 de Agosto de 1999
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