domingo, 27 de novembro de 2011

areias da cidade



espuma

brilho

aqui nas areias desta praia
louco, acometido de amar
repito insano suas pegadas
na busca do padrão fincado
naquela tarde sem tempo

uma grande saudade em perspectiva...




tuluca

São Paulo, 26 de novembro de 2011
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valeu a pena, tudo vale a pena, se a alma não é pequena
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sábado, 26 de novembro de 2011

perspectiva

Se vires uma estrela riscar o céu, será um ponto em fuga.
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tânia


abriu-se um oco no ruído da cidade
nosso passeio a passear, saudade
tantos pequenos doces momentos
o céu de nuvens e as mesmas flores
amor, amor de soprada leveza
e este caminho tão longo, até aí



tuluca

São Paulo, 15 de novembro de 2011
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Danse Macabre


no bule, o café ainda é o de ontem...

perdi-me na ausência do seu corpo
girando fugaz pela sala incendiada
naquela Danse Macabre infindável
aqui flutuava um véu vermelho
os dentes brancos, o riso largo
mais rápido
mais rápido
os pés ligeiros palmilhando o chão
mãos espalmadas, joelhos, giros
rodopios, cabelos, um meneio

adeus!

...na vitrola ainda Camille Saint-Saens
a mobília, tão atônita quanto eu



tuluca

São Paulo, 18 de outubro de 2011
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ao dia incrível


Era uma sala muito clara iluminada pelas lâmpadas néon, os azulejos de um verde claro cobriam as paredes até o teto. Lá a enfermeira chefe me levou até um nicho na parede e começou a desatar a bandagem que embrulhava o menino. Eu não sabia o que esperar, então ela começou dizendo: –Veja, ele é perfeito! E enquanto falava mostrava-me as partes do corpo. – Ele é bem formado! dizia ela enquanto me mostrava os dedos das mãos e dos pés. Mostrou-me as orelhas, articulações e com a ponta dos dedos tocou o pênis dizendo: –É homem. Depois dum silêncio disse vagamente: –Bom, ele é perfeito e bonito. A isso eu retruquei: –Só o que falta à ele é vida... E por não saber o que fazer naquele momento, deitei minha testa no ombro daquela mulher tão técnica e capaz.

Depois, nos jardins daquele hospital, quedei-me pensativo. Porque ele não vive se é perfeito? Porque a vida não grudou nele? Porque?

Ainda trago comigo essas indagações, já tanto tempo passado. Do que descobri desde esse dia incrível, é que a vida é mais que perfeição mecânica. Que Vida depende d’uma energia vivificante que una todos os átomos e traga junto consigo o espírito, para habitar o corpo até a exaustão do corpo mecânico.

Este é um sopro de amor, ao pedaço de mim que não esqueço. beijo




tuluca

São Paulo, 22 de setembro de 2011
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sábado, 10 de setembro de 2011

pérfido


quisera meu lado pérfido
distraísse o seu inocente
e se assim eu fizesse
menino seria pra você

então, num engano
eu seria menino com você

então, assim enganada
teria-me infante outra vez




tuluca

São Paulo, 4 de setembro de 2011
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

entre o espanto e a ternura


Entre el espanto y la ternura; escreveu o poeta.

Assim segue a vida tão cheia de saudades e amores; polvilhada de pequenas loucuras, todas tão plenas de vida e morte.
Nos olhos tão abertos e brilhantes, insones e perscrutadores, o mundo tão grande e o pouco tempo de todo tempo.
Na mente o novo, na memória os muitos sorrisos e nas mãos a Vontade.
Assim segue os dias: entre o espanto e a ternura.

beijo

PAZ


tuluca

São Paulo, 7 de setembro de 2011
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