quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pedreiro
















de baixo para cima seguem os tijolos
enfileirados da direita para a esquerda
e sem saber bem do todo que compõe
o pedreiro vai subindo a parede lógica
uma fila desencontrada de outra, claro
é como se faz, assim ela ganha firmeza
às vezes para, olha a moça que passa
bundão lindo, diz ele como fosse elogio
numa profusão de honestos sonhos
que sua desesperança o faz jogar fora
também queria ser o pedreiro ilógico
dizer das coisas que o coração sonha
e construir coisas que não compreendo




tuluca

São Paulo, 10 de novembro de 2016
.

.

. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

urge












não queria ser urgente
mas a hora é esta aqui
vou acontecer em mim
desmoronar-me em você
esparramar tudo que fui
espalhar muitos medos
desobedecer os sinais
alucinar nas alvoradas




tuluca

São Paulo, 28 de setembro de 2016
.

.

.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

despedida













o sorriso de ir embora
foi-se como quem fica
e permanece perene
cessa o passar do tempo
flutua além do imaginário
como um filme invertido
volta sempre pro início




tuluca

São Paulo, 14 de setembro de 2016
.

.

.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

menino a caminhar













 na vida tantos ventos.
as arvores tão altas.
eu e o menino caminhando
ele e eu a conversar.
tanto caminho de marcha
tanto pé de pau e bicho
tudo pra ver e por a mão.
a vida a viver.
muito descaminho e pedra
o vento a ventar.
de tudo se ria o menino
sua voz comigo ia
ele sempre a explicar.
o vento, muito ventando
em muitos caminhos, tantos.
vento levou o menino
que n’algum caminho está,
menino que me tem
sorrindo a me esperar.




tuluca

São Paulo, 5 de setembro de 2003
.

.

.

sábado, 27 de agosto de 2016

visão












estive olhando o que não estava à vista
depois de algum tempo pude enxergar
não era um, eram muitos excertos ali
ainda indefinidos mas aparentes na luz
como fosse o eu das muitas maravilhas
um jeito alucinado de parecer ausente
sem palavras e liberto no que pensava
o tempo deformado se alongava além
mudando toda a descrição do mundo
adiante do que é sabido e imaginado
algo de sonho com alguém que será



tuluca

São Paulo, 27 de agosto de 2016
.

.

.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

viver sem tempo
















o tempo é bobo de dar dó
segue sempre como criança
perseguindo coisa nenhuma
e não há modo de distraí-lo
persegue o nada, não para
com ele nunca estou liberto
é preciso morrer pro tempo
para ser mais este dia azul




tuluca

São Paulo, 24 de agosto de 2016
.

.

.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Carta do futuro desamor












Amada

Você me perguntou como seria amanhã.
Bem, amanhã será um novo dia em que o sol nascerá brilhante e ardente, depois d’uma noite que poderá ser da nossa escuridão. Sempre há dias e noites em todos... mas não se entristeça com o amanhã.

Se um dia você for embora não pense em mim
Que eu não te quero meu
Eu te quero seu

(Meu Menino - Milton Nascimento)


E é assim em mim pra você, não te quero minha, nem sinto que a possuo, você é de você mesma e assim brilhante. Vá quando seu coração pedir, você não me magoará partindo. Sei dos seus caminhos, eles são muito mais velozes que os meus, sei de suas buscas e necessidades de existir. Saiba que você sempre existirá em mim com sua beleza do novo, de dia claro. Vá sem se despedir e eu nem saberei que você partiu, quando eu descobrir sua ausência você já será outra. Só queria que você soubesse que caminhos se juntam e depois se separam, tão simplesmente como nuvens que passam pelo céu azul. Só não esqueça que eu te quis bem e tanto que em mim o amor não anoitece.

sempre seu
______________________________




tuluca

São Paulo 21 de agosto de 2016
.

.

.