alegrias e tristezas
não há o que comentar
vida sempre vem e vai
passam-se as esquinas
vira e voltam um pouco
sementes do imaginário
concreto que não se vê
neste desperto re-existir
morri para os sonhos que tive
foi assim lento, sem perceber
num instante não era mais eu
agora paira o social pelos dias
esse vazio disposto em fotos
neste jeito comum caminhar
nada mais é sorriso confiante
ando sem nada procurar além
deixei o que era quente e luz
hoje, nada quero, não penso
vi aquele sorriso desolado
que só existe no abandono
o olhar murcho e tristonho
atraiçoando a falsa alegria
que o sorriso não esconde
depois, os olhos nublaram
modificando sentimentos
desmaiando o já passado
preciso beber mais vinho...
é lá que o seu olhar se esconde
entre gotas do existir e sombras
uma mancha púrpura espalhada
no todo que existe em branco
acima do que é dor e espanto
principiando sempre no depois
oculto como quem ainda não é
verde que dilui sentimentos
espalha-se pelas montanhas
inunda o delírio desta tarde
escorre pelos pastos secos
vem gentil aos meus olhos
diluindo emoções descalças
libertando o que já não sei