segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

finalidade



o além não tem
fica bem aqui
e não vai pra lá
choveu molhou
da mesma água
e o calor desfez



tuluca

São Paulo, 5 de dezembro de 2016

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Querido Sérgio












Todos morrem em agosto, assim é com os Paiva Azevedo, só que às vezes o tempo se esquece das datas e faz as coisas antes da hora. Aliás o tempo é muito atrapalhado e impermanente, implacável sempre, sempre...
O Sérgio gostava de mim, um tanto muito grande e eu dele. Pensar nele agora faz doer a garganta.
Ele pintava quadradinhos pra pensar, calma e continuamente colorindo o sem cor. De muitas sabedorias, apreciou o viver como poucos. Disse-me coisas lindas, porque pensava lindamente. Um formidável humano.
Agora tudo está desfeito e os pensamentos dele vagam pelo imponderável. Alguns desses pensamentos moram em mim, até onde eu puder leva-los.
Como dói.
Pra você Sérgio que gostava do que eu escrevia:




Irmão



pensar, caminhar, apenas ser
tanta vida que a vida guarda
e nossa esfera azul iluminada
a girar, girar com tanta água
você e eu, só pensamentos
à se desfazer na imensidão
sem mais nenhuma hipótese
Sérgio, este é o final, o vazio



tuluca

São Paulo, 2 de novembro de 2016
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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pedreiro
















de baixo para cima seguem os tijolos
enfileirados da direita para a esquerda
e sem saber bem do todo que compõe
o pedreiro vai subindo a parede lógica
uma fila desencontrada de outra, claro
é como se faz, assim ela ganha firmeza
às vezes para, olha a moça que passa
bundão lindo, diz ele como fosse elogio
numa profusão de honestos sonhos
que sua desesperança o faz jogar fora
também queria ser o pedreiro ilógico
dizer das coisas que o coração sonha
e construir coisas que não compreendo




tuluca

São Paulo, 10 de novembro de 2016
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

urge












não queria ser urgente
mas a hora é esta aqui
vou acontecer em mim
desmoronar-me em você
esparramar tudo que fui
espalhar muitos medos
desobedecer os sinais
alucinar nas alvoradas




tuluca

São Paulo, 28 de setembro de 2016
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

despedida













o sorriso de ir embora
foi-se como quem fica
e permanece perene
cessa o passar do tempo
flutua além do imaginário
como um filme invertido
volta sempre pro início




tuluca

São Paulo, 14 de setembro de 2016
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terça-feira, 6 de setembro de 2016

menino a caminhar













 na vida tantos ventos.
as arvores tão altas.
eu e o menino caminhando
ele e eu a conversar.
tanto caminho de marcha
tanto pé de pau e bicho
tudo pra ver e por a mão.
a vida a viver.
muito descaminho e pedra
o vento a ventar.
de tudo se ria o menino
sua voz comigo ia
ele sempre a explicar.
o vento, muito ventando
em muitos caminhos, tantos.
vento levou o menino
que n’algum caminho está,
menino que me tem
sorrindo a me esperar.




tuluca

São Paulo, 5 de setembro de 2003
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sábado, 27 de agosto de 2016

visão












estive olhando o que não estava à vista
depois de algum tempo pude enxergar
não era um, eram muitos excertos ali
ainda indefinidos mas aparentes na luz
como fosse o eu das muitas maravilhas
um jeito alucinado de parecer ausente
sem palavras e liberto no que pensava
o tempo deformado se alongava além
mudando toda a descrição do mundo
adiante do que é sabido e imaginado
algo de sonho com alguém que será



tuluca

São Paulo, 27 de agosto de 2016
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