segunda-feira, 14 de abril de 2014

feridas do chão











na minha cidade tem poetas
por aqui tem o que acontece
nesta cidade tem palhaços
tem multidão que não pensa
tem gente saltando do chão
brotados do ontem hostil
são só coragem e esperança
repartida no passo confuso
são projetos já esquecidos
guardados dentro do medo
de um amanhã inexistente

nesse amanhã de ninguém
tão grudados nas saudades
sem a medida do que será
serão coragem permanente
brincando de pernas pro ar
querendo quem já passou

virão cantando pelas ruas
esses palhaços esquecidos
desdobrados à cada esquina
comendo e tomando metrô
aqui acontecerá o amanhã
e amanhã já serei eu enfim


tuluca

São Paulo, 13 de abril de 2014
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segunda-feira, 10 de março de 2014

debruçada nas nuvens












fechei a velha porta
olhei pra lua no céu
e era você à me olhar
debruçada nas nuvens
quis mais noites de luz
rever seu olhar manso
e apenas estar feliz
ai, quanta saudade



tuluca

Nova Friburgo, 9 de março de 2014
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domingo, 2 de fevereiro de 2014

tanto de coisa alguma












depois dali, até você foi embora
havia um tanto de coisa alguma
um cheiro de vazio perturbador
queria tudo fosse d’outro modo
mais leveza, mais ânimo e força
agora só este abafado desolado
mal cheiro e um gosto amargo
persistindo em cada manhã vazia



tuluca

São Paulo, 2 de fevereiro de 2014
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

fora do trilho












hoje viajo por fora do trilho
cansei das conversas certas
dei asas pros meus encantos
fiquei avesso aos reclames
deixei de olhar pra longe
ouço o que vai pela cidade
e tenho em mim quem sou



tuluca

São Paulo, 23 de janeiro de 2014
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

cheiro de jasmim










a vida sorri abundante
nestas vívidas manhãs
num cheiro de jasmim
até onde o olhar alcança
nas suas mãos o breve
no sorriso o duradouro
hoje, tudo está em paz




tuluca

São Paulo, 10 de dezembro de 2013
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mãos de irmãos






Quando menino eu e minha irmã ouvíamos histórias fantásticas ao lado de um fogão de lenha. Depois, com luz da lua, ou em noite escura voltávamos pelo pasto, de mãos dadas, morrendo de medo e em silêncio. lembrando das histórias e ouvindo, aqui e ali, um assobio que podia ser do demo ou do saci.
Tínhamos muito medo de atravessar o pasto úmido da noite. Hoje, é bom recordar da mão de minha irmã que confiava em mim.





tuluca

São Paulo, 28 de outubro de 2013
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Você não acontecida












Tenho saudades de você em 2013, aqui a noite está silente...
Penso em seus caminhos diurnos; por quais calçadas pisaram seus pés, se foram incertos ou decididos. Isto é um nada mesmo, mas é um modo de pensar você num futuro qualquer.
Aqui registro minha espera d’um chamado seu; recordando o tudo que não aconteceu, relembrando palavras sem contexto dispersas entre meus dedos e recém caídas de seus lábios.
Há uma vontade de encontrar você... Saber de suas cores, seus cheiros, seus brilhos; saber da ponta de seus dedos e do que eu possa ver de sua alma através de seus olhos. Depois... Beber o café já frio e sorrir.

Beijo

PAZ



tuluca

São Paulo, 28 de outubro de 2013
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[Cartas preconizam o futuro, espreitam possibilidades]
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