sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mãos de irmãos






Quando menino eu e minha irmã ouvíamos histórias fantásticas ao lado de um fogão de lenha. Depois, com luz da lua, ou em noite escura voltávamos pelo pasto, de mãos dadas, morrendo de medo e em silêncio. lembrando das histórias e ouvindo, aqui e ali, um assobio que podia ser do demo ou do saci.
Tínhamos muito medo de atravessar o pasto úmido da noite. Hoje, é bom recordar da mão de minha irmã que confiava em mim.





tuluca

São Paulo, 28 de outubro de 2013
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Você não acontecida












Tenho saudades de você em 2013, aqui a noite está silente...
Penso em seus caminhos diurnos; por quais calçadas pisaram seus pés, se foram incertos ou decididos. Isto é um nada mesmo, mas é um modo de pensar você num futuro qualquer.
Aqui registro minha espera d’um chamado seu; recordando o tudo que não aconteceu, relembrando palavras sem contexto dispersas entre meus dedos e recém caídas de seus lábios.
Há uma vontade de encontrar você... Saber de suas cores, seus cheiros, seus brilhos; saber da ponta de seus dedos e do que eu possa ver de sua alma através de seus olhos. Depois... Beber o café já frio e sorrir.

Beijo

PAZ



tuluca

São Paulo, 28 de outubro de 2013
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[Cartas preconizam o futuro, espreitam possibilidades]
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

seus olhos meus
















quero teus olhos para poder te olhar
de modo que estas mãos pesadas
possam entender seu corpo frágil
e o áspero destes velhos calos
saibam brandamente acarinhar



tuluca

São Paulo, 26 de setembro de 2013
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domingo, 1 de setembro de 2013

Baronesa
















Baronesa veio me ver
é dia do champanhe
sedas, dentes e dedos
vem ávida, deslumbrante
impunemente sorrindo
despida dos pudores
assim granfina superior
geme, arfa desmedido
gargalha e desaparece



tuluca

São Paulo, 24 de agosto de 2013
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

nariz sujo












manhã de inverno, vento
uma criança na calçada
nariz sujo, um futuro?
e a Terra imensa girando
girando no vazio do céu





tuluca

São Paulo, 19 de agosto de 2013
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terça-feira, 13 de agosto de 2013

assim os dias escorreram entre os dedos













na noite de ir-me
nenhum cheiro
na mala este peso
e tanta saudade

desejo




tuluca

São Paulo, 12 de agosto de 2013
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

olhos encantados











estava assim parado à-toa
nada a ser feito, ou dito
e a vida toda pra construir
muitos sons do passado
e uns olhos encantados

achei de procurar você

sempre mais um lugar
mais de coisa nenhuma
muitos dias e movimento
sempre no que é começo
nas muitas infinitas manhãs
foi assim, os dias passaram
ficaram uns restos alheios
nesta história de nós dois
nesse nós que não existiu




tuluca

São Paulo, 5 de agosto de 2013
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