quinta-feira, 26 de setembro de 2013

seus olhos meus
















quero teus olhos para poder te olhar
de modo que estas mãos pesadas
possam entender seu corpo frágil
e o áspero destes velhos calos
saibam brandamente acarinhar



tuluca

São Paulo, 26 de setembro de 2013
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domingo, 1 de setembro de 2013

Baronesa
















Baronesa veio me ver
é dia do champanhe
sedas, dentes e dedos
vem ávida, deslumbrante
impunemente sorrindo
despida dos pudores
assim granfina superior
geme, arfa desmedido
gargalha e desaparece



tuluca

São Paulo, 24 de agosto de 2013
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

nariz sujo












manhã de inverno, vento
uma criança na calçada
nariz sujo, um futuro?
e a Terra imensa girando
girando no vazio do céu





tuluca

São Paulo, 19 de agosto de 2013
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terça-feira, 13 de agosto de 2013

assim os dias escorreram entre os dedos













na noite de ir-me
nenhum cheiro
na mala este peso
e tanta saudade

desejo




tuluca

São Paulo, 12 de agosto de 2013
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

olhos encantados











estava assim parado à-toa
nada a ser feito, ou dito
e a vida toda pra construir
muitos sons do passado
e uns olhos encantados

achei de procurar você

sempre mais um lugar
mais de coisa nenhuma
muitos dias e movimento
sempre no que é começo
nas muitas infinitas manhãs
foi assim, os dias passaram
ficaram uns restos alheios
nesta história de nós dois
nesse nós que não existiu




tuluca

São Paulo, 5 de agosto de 2013
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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Inferno

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Estive no inferno.
Nada era a primeira vista muito estranho, apenas uma grande casa, aliás, nem sei bem se era uma casa, porque estive apenas nos jardins dessa casa. Era um jardim inglês com a natureza toda bem disciplinada e bem aparada, com o piso e muretas em pedras brancas e foscas, como fossem dum mármore rústico. O verde era todo igual, velho e do mesmo tom escuro.
Entrei por portões de ferro batido e caminhei, junto com minha acompanhante, por esses caminhos de pedra esbranquiçada, fomos até um gazebo de colunas esguias e pintadas de branco; lá cadeiras de palha com espaldar alto e sobre elas almofadas brancas, uma mesa de centro também branca com tampo de vidro, nela frutas pálidas como cera, tudo muito elegante.
A pessoa importante que nos conduziu para dentro dessa festa e ao mesmo tempo nos fez perder a hora de outros compromissos, era um dos cinco que estavam nesse fim de tarde naquele lugar, apresentou-me ao que era o mais importante de todos, esse não se levantou da cadeira. Tinha os olhos límpidos e escuros como sua pele acinzentada, parecia ter grande estatura, muito magro e imberbe; esticou sua mão muito fina e cumprimentou-me com um assentimento de cabeça. Lembro que também não sorri e apresentei quem estava comigo, ela sorria enquanto era apresentada aos convivas, que ficaram em silêncio, sem movimentos nas faces e olhos parados.
Enquanto se desenrolava as apresentações fui olhando melhor aquele jardim, que embora sombrio era bem bonito, não exuberante. Fui reparando nas construções de pedras brancas do jardim e foi nesse momento que percebi que não havia vento e as coisas todas pareciam paradas, estáticas, atemporais. Até a grande fonte, também feita de mármore branco amarelado era quieta, com a exceção de dois meios bois, que pareciam querer se despregar da parede que os prendia; balançavam a cabeça num movimento igual, como fossem mecânicos, tentavam se desprender daquela parede pretendo alcançar o gramado. Pensei, eles querem pastar... Foi nesse exato instante que compreendi que seríamos o jantar de logo mais e acordei.



tuluca

São Paulo, 12 de junho de 2013
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domingo, 2 de junho de 2013

Filha Amanda

Por gostar da música “te recuerdo Amanda” de Victor Jara, dei o nome de Amanda a uma de minhas filhas, ela morreu nenê ainda. Foi o enterro mais triste que segui; estávamos apenas eu e o coveiro, o dia amanhecia úmido e havia uma névoa anunciando um dia muito quente.
Pelo que sei de mim, naquilo só estávamos eu e o infinito navegando naquela turva manhã, como caminhasse por um vácuo surdo.


tuluca

São Paulo, 2 de junho de 2013
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