preciso buscar muitos azuis
pra derramar noutros tantos
das muitas manhãs serenas
nos umbrais das portas todas
nas janelas e pelas paredes
até que de muito, ele escorra
invada a vida e tudo vire céu
ficamos assim
entre o nada e o porque
muitos foram os instantes
todos tão cheios de vazio
depois cada um a se ir de nós
nessas muitas partidas
de imensas noites vãs
sem aurora, sem remédio
nem espanto, quase porque
só que agora já não sei
foi assim que ela abraçou tanto abraço
era hora de partida, tempo sem freio
no olhar todo passado ali presente
coisas do vento, dos dias, das marés
e a hora se desmanchando em pó
foi o último instante do até não sei
Tenho vontade de vê-la nua, sentada à cabeceira da cama. Os olhos a me olhar e neles um milhão de pensamentos desconexos, girando e iluminando o sorriso.