segunda-feira, 28 de junho de 2010

legado


... Pior mesmo é pra quem morre.
É sempre triste saber que alguém se foi, dos mais próximos principalmente, porém é muito melhor ficar sentindo saudades do que morrer, pois o melhor mesmo é estar vivo.
Com o passar dos anos vai-se ficando mais duro e claro com respeito à própria existência. Descobrimos serem muito mais importantes as manifestações artísticas e a natureza, do que antes nos pareciam. Hoje ouço e vejo melhor os instantes; é preciso sempre pastorear a vida, olhar seus dons todos e admira-los como graça.
Falemos hoje, é bom poder lhe contar das impressões que tenho, assim, quando você chegar aqui poderá saborear melhor o seu tempo, porque saberá o que procurar.
Sei que cada acontecimento é inédito, que um por de sol é muito raro, cada respiração é muito rara. Eu, nem sou consciente de todas elas, mas sei serem raras e caras.
Digo que os grãos de areia na ampulheta vão se afinando conforme descem lá do alto e assim passam mais rápido pelo seu gargalo, fazendo o final mais rápido do que se pensara.
Soube, nestes tempos vividos, que um pensamento sorriso vale uma longa viagem, ou muito tempo de espera, que a alegria é a chave de todas as portas.
Sei agora pra lhe segredar: bom é viver e amar é o que fazer.

com um suave beijo

PAZ



tuluca

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

menino a caminhar


na vida tantos ventos.
as arvores tão altas.
eu e o menino caminhando
ele e eu a conversar.
tanto caminho de marcha
tanto pé de pau e bicho
tudo pra ver e por a mão.
a vida a viver.
muito descaminho e pedra
o vento a ventar.
de tudo se ria o menino
sua voz comigo ia
ele sempre a explicar.
o vento, muito ventando
em muitos caminhos, tantos.
vento levou o menino
que n’algum caminho está,
menino que me tem
sorrindo a me esperar.



tuluca

São Paulo, 5 de setembro de 2003

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Flutuação


o movimento é só uma flutuação
às vezes o coração explode
neste curto espaço que separa
o aqui, dum indisposto febril
neste andar quase sumido
a canção se esquece
sobre o pó do passado


tuluca

São Paulo, 6 de maio de 2010

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domingo, 2 de maio de 2010

Aqui cabe mais


A tarde era linda naquele sábado dourado. Contente seguia pra mais conversas na avenida, entrei no metrô fiz a baldeação, entrei noutra composição, me sentei. O trem era novinho, cores agradáveis e vazio. Notei que eram poucos os bancos e muitos os lugares para quem viaja em pé segurar-se. Quer dizer: agora um vagão de metrõ leva muito mais gente por viagem.
Assim também, pintando maior número de faixas no chão das ruas e proibindo estacionar, aumenta o tráfego de veículos na cidade.
Cidade, tão gigante, tão cheia de gentes sem tempo. Tantos coloridos e ruídos à esbravejar da pressa desses desencontrados encontros, tão sem tempo.




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sábado, 24 de abril de 2010

Momentos I


Ruídos distantes naquele canto da cidade. Num banco longe dos guichês do bonde, a aliança de ouro passou da mão para o fundo da bolsa. Tudo virou silêncio, depois o sorriso abriu-se em luz.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

sono

tenho sono de manhã
tenho sono as seis horas da tarde, quando as luzes principiam.
tenho sono nas primeiras horas mágicas
porque será?





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quinta-feira, 8 de abril de 2010

felizes para sempre


... e eles viveram felizes para sempre.

As histórias terminavam assim, quando eu era criança. Agora já não sei se é assim, tudo muda. Também nem mesmo sei se naquelas histórias que eu ouvia, narraram a última notícia tida do casal, ou se de fato eles acabaram vivendo o sempre.


Isso tudo porque Sempre é muito tempo, muito, muito mesmo.




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