terça-feira, 9 de abril de 2013

barro seco
















nestas estradas de barro seco
o verde queimado de esquecimento
não esconde a montanha azulada
daquele horizonte quase inexistente
nós aqui, à-toa, caminhamos ao sol
tenho meus olhos neste chão de pó
e os ouvidos buscando uma certeza
nas palavras daquela velha criança
que não imaginava um dia anoitecer



tuluca

São Paulo, 20 de março 2013
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sábado, 9 de março de 2013

manhãs brejeiras













meus dias eram assim brejeiros
tudo era graça e o vento bom
nas manhãs banhadas de azul
o corguinho descia marulhento
lavando pés, rolando pedra
eu era criança, olhava nuvem
ria à-toa, falava com bicho
e foi naqueles tantos, já nem sei
que me vi pela primeira vez

ou pela última vez...





tuluca

São Paulo, 8 de março de 2013
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quarta-feira, 6 de março de 2013

seguindo o tempo








o tempo segue no caminho de amanhã
vai célere e diligente para esse nunca
sigo atrás buscando os velhos sonhos
procurando o lugar onde parar e olhar
agora já me canso dessa marcha insana
estou um tanto inseguro do que almejo
perdido entre tantas conversas vazias
com outros desiludidos caminhantes
olho o rápido tempo à minha frente
sempre a espera de que ele tropece
eu, sempre atrás, quase desmaiado
ainda sorrio lembrando meu início




tuluca

São Paulo, 4 de março de 2013
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

não somos












nós nunca fomos um
também não fomos dois
nem ficamos, ou perdemos
nos ganhamos na distância
na falta de sermos nós




tuluca

São Paulo, 15 de fevereiro de 2013
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sábado, 19 de janeiro de 2013

Azul












preciso buscar muitos azuis
pra derramar noutros tantos
das muitas manhãs serenas
nos umbrais das portas todas
nas janelas e pelas paredes
até que de muito, ele escorra
invada a vida e tudo vire céu




tuluca

São Paulo, 18 de janeiro de 2013
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

entre o nada e o porque













ficamos assim
entre o nada e o porque
muitos foram os instantes
todos tão cheios de vazio
depois cada um a se ir de nós
nessas muitas partidas
de imensas noites vãs
sem aurora, sem remédio
nem espanto, quase porque
só que agora já não sei



tuluca

São Paulo, 19 de janeiro de 2010
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domingo, 30 de dezembro de 2012

até não sei
















foi assim que ela abraçou tanto abraço
era hora de partida, tempo sem freio
no olhar todo passado ali presente
coisas do vento, dos dias, das marés
e a hora se desmanchando em pó
foi o último instante do até não sei




tuluca

São Paulo, 29 de dezembro de 2012
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