entre o vívido e o inóspito
viajavam os dias inteiros
tudo de belo que vicejava
tinha espinhos e era áspero
da garganta nem um som
olhos secos, cabelo ao vento
mãos espalmadas em adeus
pés caminhando num só ir
éramos muitos e vadios hoje, já quase bons cativos nestes dias oblíquos e mentirosos nós, tão revistos com poucas venturas permanecemos seguindo apenas seguindo
éramos homens naquele dia esquecido caminhávamos sob um sol de ninguém e nem sempre a marcha prosseguia havia um bem e o mal em cada passo era só lembrança a se desfiar num nada coragem e medo partilhando a estrada nenhum rosto olhava para aqueles pés tão imersos na juventude de serem num dia ensolarado e sem futuro nenhum sorriso ou palavra sequer ombro à ombro e o horizonte por nós
Você já reparou que aqui na internet, nestes muitos escritos que trocamos, a condição de período de tempo, fica sem nexo? Percebo em muitas pessoas, inclusive eu, a tentativa de orientar o leitor sobre o horário em que escrevemos cada uma destas cartas, mas tudo por aqui é atemporal. Neste instante, abro uma de suas cartas e é o exato momento que lhe encontro, como se não houvesse existido o lapso temporal entre o momento de você me escrever, ao de eu ler. Assim, vejo que nossos esforços em ajustar este etéreo ao nosso viver são inúteis, uma simples tentativa de transferir nossa efêmera humanidade mortal e temporal a estes escritos.