domingo, 28 de agosto de 2011

vou pra além



ai quanta saudade daquela gente miúda
dos olhos esfogueados, sorriso bem largo

ai quanta saudade de você.
ai
e bem agora, quando já vou pra lá
ou... pra muito além de te esperar




tuluca

São Paulo, 28 de agosto de 2011
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

areias


entre o vívido e o inóspito
viajavam os dias inteiros
tudo de belo que vicejava
tinha espinhos e era áspero
da garganta nem um som
olhos secos, cabelo ao vento
mãos espalmadas em adeus
pés caminhando num só ir


tuluca

São Paulo, 8 de abril de 2011
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terça-feira, 21 de junho de 2011

vadios


éramos muitos e vadios
hoje, já quase bons
cativos nestes dias
oblíquos e mentirosos
nós, tão revistos
com poucas venturas
permanecemos seguindo
apenas seguindo



tuluca

São Paulo, 21 de junho de 2010
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sábado, 21 de maio de 2011

cabelão

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numa pirueta aqueles cachos
despencaram ombro abaixo
dourados, perdidos na luz
duma manhã sem tempo
tão habitante em mim



tuluca

São Paulo, 20 de maio de 2011
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

marcha


éramos homens naquele dia esquecido
caminhávamos sob um sol de ninguém
e nem sempre a marcha prosseguia
havia um bem e o mal em cada passo
era só lembrança a se desfiar num nada
coragem e medo partilhando a estrada
nenhum rosto olhava para aqueles pés
tão imersos na juventude de serem
num dia ensolarado e sem futuro
nenhum sorriso ou palavra sequer
ombro à ombro e o horizonte por nós



tuluca

São Paulo, 30 de abril de 2011
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quarta-feira, 27 de abril de 2011

e-meios

Você já reparou que aqui na internet, nestes muitos escritos que trocamos, a condição de período de tempo, fica sem nexo? Percebo em muitas pessoas, inclusive eu, a tentativa de orientar o leitor sobre o horário em que escrevemos cada uma destas cartas, mas tudo por aqui é atemporal. Neste instante, abro uma de suas cartas e é o exato momento que lhe encontro, como se não houvesse existido o lapso temporal entre o momento de você me escrever, ao de eu ler. Assim, vejo que nossos esforços em ajustar este etéreo ao nosso viver são inúteis, uma simples tentativa de transferir nossa efêmera humanidade mortal e temporal a estes escritos.

beijo

PAZ


Elpidio

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sexta-feira, 15 de abril de 2011

esvanecido

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morre-se assim como vão as nuvens
serena e vagarosamente se diluindo
esvanecendo ao encontro do horizonte

pra lá caminha meu bem querer
gasto, dissolvido em tanto amar



tuluca

São Paulo, 15 de abril de 2011
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